Na política, mesmo os crentes precisam ser ateus


Manifestações de 13 de Março aconteceram em todo Brasil
Manifestantes levantam o boneco que remete ao ex-presidente Lula, na avenida Paulista, no domingo (13). Foto por: PAULO WHITAKER REUTERS

Uma das melhores análises da situação atual do Brasil. É longo, mas vale a pena ler esse texto da Eliana Brum no El Pais. Recomendo acompanhar essa colunista.

Aproveito para recomendar o El Pais como uma fonte de notícia menos parcial sobre o Brasil.

O momento do Brasil, culminando com as manifestações de 13 de março, mostra os riscos de uma adesão pela fé: é preciso resistir pela razão.

Não se constrói um projeto político com crentes. Mas a angústia, no Brasil de hoje, se dá também pela vontade de acreditar que algo é verdadeiro num cotidiano marcado por falsificações. O perigo é que, quando o roteiro dos dias parece ter sido escrito por marqueteiros, não cabe razão nesse acreditar. Exige-se fé. Quando a política demanda adesão pela fé, é preciso ter muito cuidado. Os partidos que estão aí, puxando para um ou outro credo, podem acreditar que lhes é favorável ter uma população de crentes legitimando seus projetos de poder. Mas a adoração, rapidamente, pode se deslocar para outro lugar, como alguns já devem ter começado a perceber depois das manifestações do domingo, 13 de março. Ou pior, para um ídolo de barro qualquer. Rebaixar a política nunca é uma boa ideia para o futuro. Quem acha que controla crentes, com suas espirais de amor e de ódio, não aprendeu com a história nem entende o demasiado humano das massas que gritam. leia mais